sábado, 21 de agosto de 2004

Brasileira Iraquiana

I

Em Najaf,
Em todo o Iraque,
Não falta disposição.
Ali ninguém é de araque:
Se os gringos jogam bombas
Eles correm pelo chão.
Pior que em festa de arromba,
Causam grande comoção.
Eles amam o que é sagrado
E defendem a nação.
Enfrentando aviões,
Se tornaram campeões
De Mohamed Ali.

E o que se passa aqui?

II

Tem sunita, tem chiita,
Também tem o Curdistão.
Só o que não tem é medo
De encarar a escravidão:
Chegou no terreno mais cedo
E sumiu na escuridão...
Ninguém sabe!
Nnguém viu!
Donde foi que um surgiu?
Mas o tanque americano
Logo entrou pelo cano
Numa grande explosão:

Fuck-off, cidadão!

III

Lá o Deus é diferente:
Olho por olho,
Dente por dente.
Cada um cava na Terra,
Seu lugar de ir ao Céu.
Sem fazer ouvidos moucos,
Nem ficar tomando mel,
Mas cumprir o que é devido:
Escondido na ruína,
Só a lua ilumina,
Num tiroteio louco,
Dar o troco merecido.

Unido jamais é vencido!

IV

Se entrega, ô Moqtada!
Eu não me entrego não,
Que não sou passarinho
Prá viver lá na prisão.
Não me entrego a tenente,
Não me entrego a capitão;
Só me entrego para a morte,
Com dois parabelos na mão!
E marchou para a Mesquita,
Foi seguido pelos seus.
Um lutou, um morreu,
Com lança granada no ombro
Se escondeu no escombro,
Abriu um grande rombo
No blindado que correu.
De corpo fechado
Moqtada se defendeu,
E o Aiatolá apareceu:
Ali Sistani se meteu,
"Chega prá lá, americano,
Que Moqtada é meu mano!"
E ficou ao lado seu:
Todo o Iraque se mexeu!
Moqtada aproveitou
E se escafedeu,
De Najaf se retirou
Deixando o gringo na mão.

Foi no Iraque ou no Sertão?

IV

Brasileiro, não está vendo
Que o Iraque é sua luta?
Onde está se escondendo,
Brasileiro filho da puta?
Desentoca, vai à rua
Defender o que é seu.
Tem vergonha,
Mostra os dentes,
Que no Iraque morre gente
Lançando morteiro quente
Prá defender a o povão.

Mostre a cara, meu irmão!

V

Um diz que o povo é gado,
Que não tem mais solução,
Que acabou acostumado
A viver na escravidão.
Mas o mundo é parecido
E a Terra é uma só.
E o império não tem dó.
Brasileiro,
No bueiro,
Vê se acorda,
Tá faltando muita corda
Para quem é merecido.

É só desatar o nó!

VI

No Iraque, já se viu,
O povo se decidiu.
Não foi a quem o pariu,
Ao contrário,
Saiu do armário:
Armado de carabina,
Esperando atrás da esquina,
Não teme carro blindado,
Sabe matar um soldado.
Enfrentou o bombardeio,
Sabe vencer tiroteio.
Sabotou o oleoduto,
O gringo ficou muito puto:
O petróleo sumiu!
O preço subiu!
O mercado arrepiou!
O iraquiano gostou...
Tanto fez que mereceu,
Pois mostrou para o que veio.
E não há americano
Prá manter a escravidão
Por mais um ano:
Já perdeu, e foi feio.
O Iraque será livre
Pois lá ninguém é cordeiro!

E você ô Brasileiro?

VI

Onde está,
Óh patuleia?
Larga de ser cuzão!
Armado de muita idéia,

Venha prá Revolução!

1 Commentários:

Blogger JAM escreveu...

Oi Alvaro,

Usei uma parte do seu poema no meu blog.
Gostaria de ter podido contactar com você antes, mas você não indicou seu e-mail.
Se entrar no meu blog, vai ver certamente de que poema se trata e como, se quiser, entrar em contacto comigo.

Obrigado,
Até +

terça-feira, 09 novembro, 2004  

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